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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Brasileiros na Alemanha - parte 4 - Dresden



Nossa viagem continuou em direção a Dresden, uma simpática cidade às margens do Rio Elba que tem o mérito de ser um das que se reergueram do pó depois da Segunda Guerra Mundial: o bombardeamento de Dresden, em 1945, destruiu a cidade e matou cerca de 35.000 pessoas. Caminhamos um pouco por suas ruas, apreciando a arquitetura tanto mais tradicional quanto do período em que a cidade esteve sob o regime soviético. Também entramos em uma bonita igreja, dona de várias obras de arte de artistas importantes, e compramos vários souvenirs em uma pequena feirinha situada em frete ao shopping center da cidade.

Passamos por construções interessantes, como o "Desfile dos Príncipes", um bonito mural feito no século XIX com azulejos de porcelana, além do palácio real e da ópera da cidade.

Em Dresden pudemos sentar e apreciar alguns dos excelentes doces alemães em uma ótima confeitaria. É uma pena que o tempo foi bastante curto e não pudemos conhecer muito mais. A sensação que ficou é que se trata de uma daquelas cidades em que temos que voltar alguma dia na vida para conhecer com mais calma.





















terça-feira, 25 de setembro de 2012

Brasileiros na Alemanha Parte 3: Campo de Sachsenhaussen


Ir a um campo de concentração não é precisamente um passeio. É um mergulho em uma parte triste de nossa história, uma forma de não esquecermos o horror feito pela expansão nazista e de refletirmos pra que isso nunca volta a se repetir.

Na entrada, a frase "Arbeit macht frei" (O trabalho liberta) já representa como muitas pessoas foram levadas para estes campos como uma falsa promessa de vida boa. O enorme terreno abarcava 60 subcampos de trabalho forçado, onde passaram 200 mil pessoas. Muitas morreram de frio e de desnutrição, ou foram vítimas de experimentos médicos desumanos. 

O campo de Sachsenhaussen foi o primeiro de muitos a ser construído, e também foi utilizado como campo de extermínio, com uma câmara de gás e um forno. Desta parte, somente restam ruínas, que já são suficientes para imaginarmos a insanidade que foi tudo aquilo. O barracão que mostra como eram as instalações de banheiros e camas ilustram como centenas de pessoas se amontoavam em um pequeno espaço.

O campo foi, depois do período nazista, ainda utilizado para prisioneiros soviéticos, dos quais muitos morreram ali também. O local guarda um silêncio doloroso, uma tristeza profunda e um ambiente pesado. O sofrimento que ali esteve está enraizado no local, e é impossível não se comover com as vidas perdidas ali. 

Esta visita serviu não só como uma aula de história, mas principalmente como uma reflexão e uma maneira de sentir ainda mais repugnância a qualquer tipo de preconceito, a qualquer tipo de intolerância, a qualquer atentado ao ser humano.






sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Brasileiros na Alemanha, parte 2: Potsdam




Não muito longe de Berlin está a bonita cidade de Potsdam, com sua grande história e seus palácios encantadores. No nosso terceiro dia na Alemanha, fomos para lá e começamos o passeio parando em uma ponte cuja metade ficava na parte soviética e metade na parte ocidental. Depois nos dirigimos ao Palácio de Cecília (Cecilienhof), que possui uma bela estrutura e um bonito jardim, que ainda conserva uma estrela de flores feita ainda nos tempos de regime comunista.  A construção foi feita pelo rei Guilherme II para seu filho Guilherme da Prússia e sua esposa Cecília. O casal acabou indo morar somente depois da Primeira Guerra Mundial, onde ficaram até a invasão soviética em 1945, quando fugiram.
















Depois disso, o palácio marcou um evento histórico: a famosa Conferência de Potsdam com participação de Winston Churchill, Josif Stallin e Harry Truman, em que se definiram os termos da rendição japonesa no fim da Segunda Guerra Mundial. É legal entrar na sala e ver onde cada um sentou-se, onde ficava a imprensa (no pouco tempo que foi permitido aos jornalistas permanecerem) e como foi a disposição das pessoas naquela reunião.












Na continuação, fomos ao Palácio de Sanssouci, o antigo palácio de verão do rei Frederico o Grande, da Prússia. Com estilo rococó bastante adaptado aos gostos pessoais do rei, não chega a ser um palácio muito grande, mas impressiona pela beleza de detalhes e pelo terreno em si. Já na entrada do local, um moinho em estilo holandês chama a atenção. Várias parreiras de uvas, aportadas em pequenas muretas, compõe o visual da descida que leva até o jardim, perfeitamente conservado e florido. Caminhando à direita, chegamos a uma outra casa, a Galeria de Pintura, onde o rei cultivava frutas e plantas tropicais. Esculturas, pátios e flores compõe um ambiente calmo e harmônico, lindo de visitar. Eu já havia lido algumas comparações de Sanssouci com Versalhes, mas acho que não devemos misturar uma coisa com a outra. São estilos diferentes, épocas e propósitos diferentes. Claro, cada um com sua beleza.



Que está perto de Berlin tem que ir até Potsdam visitar estes passeios. As paisagens e os palácios guardam imagens inesquecíveis!




domingo, 9 de setembro de 2012

Brasileiros na Alemanha - parte I - As múltiplas facetas de Berlin







Voltar à Alemanha foi uma grande emoção. Já havia ido ao país por poucos dias, visitando somente Frankfurt, Colônia e o Vale do Loreley, mas queria conhecer a fundo este país de onde vieram meus bisavós. A porta de entrada foi logo Berlin, a capital alemã recheada de história e ambientes bastante diferentes um dos outros.




O primeiro dia foi praticamente para se instalar no excelente hotel Scandic Berlin e dar uma volta na redondeza, que era basicamente o Tiergarten, famoso jardim, e a Potsdam Platz, com alguns prédios empresariais, como o famoso prédio da Daimler e o Sony Center, além de um grande shopping center. Na primeira noite, fomos a uma cervejaria pra um jantar com direito a linguiças, salsichas e uma deliciosa sobremesa com frutas vermelhas.


Na manhã seguinte, partimos para um passeio pela cidade. A primeira coisa a chamar atenção foi a arquitetura, bastante heterogênea. De um lado, construções que um dia já foram modernas mas que ainda hoje em dia chamam atenção, entre outras contemporâneas bastante grandiosas (muitas delas nas margens do rio Spree); por outro, a herança do perído soviético, com seus prédios funcionais e semelhantes uns dos outros. Esta divisão que Berlin enfrentou durante décadas, até a queda do muro em 1989, deixou várias marcas pela cidade, sendo que ainda são nítidas algumas diferenças entre os dois lados. Talvez por isso hoje seja tão interessante passear por Berlin, pois cada bairro mostra uma faceta diferente. 

Um ponto típico da Guerra Fria que visitamos foi o Checkpoint Charlie, o ponto em que estrangeiros e militares eram autorizados a passar de um lado da Alemanha para o outro. Este símbolo da divisão alemã hoje virou ponto turístico, onde a cabine foi recolocada e podemos ver a foto de um soldado soviético de um lado, e do soldado americano de outro. Estudantes ficam ali "fingindo" serem soldados para tirar fotos com os turistas ao preço de 2 euros. Foi ali perto também que fomos a um dos poucos banheiros em que não foi preciso pagar (dentro de um McDonald's), já que os toaletes sempre saíam entre 30 e 70 centavos.


Nesta mesma manhã, fomos visitar restos do muro de Berlin, outro símbolo máximo da separação entre a Alemanha soviética e a ocidental. É interessante ver como mesmo partes não agradáveis da história são transformados em memória, turismo ou, no caso do muro, em arte. O que ainda está em pé virou um grande mural para diferentes pinturas, uma verdadeira galeria ao ar livre. Em outros pontos da cidade, é possível ver no chão a marca por onde o muro passava. Uma maneira genial de se preservar a memória, porém dando uma roupagem distinta. Ali por perto, a supresa de uma grande escultura do brasileiro Romero Brito, que caracterizou um urso - o símbolo de Berlin - com seu estilo.

Outro lugar impressionante foi a praça onde fica a Universidade Humboldt, lugar marcado por um triste evento: a queima de livros promovida por Hitler. Em sua calçada, uma pequena abertura mostra, abaixo da terra, uma prateleira de livros vazia, simbolizando o ocorrido. Mais uma vez, o povo alemão sempre registrando de maneira criativa e inteligente as memórias - mesmo que doloridas - de sua história.

Passeando de ônibus, me chamou bastante atenção um prédio daqueles abandonados, em que artistas vivem anarquicamente e pessoas vem e vão a toda hora. Mesmo ameaçados de destruição ou de serem vendidos, por enquanto são ponto de interessante dos visitantes.


Passamos pela famosa ilha dos museus, onde localizam-se cinco famosos museus, além da Catedral de Berlin, e fizemos um passeio de barco pelo rio Spree, em um momento que pudemos desfrutar da vista de diferentes construções e paisagens. Foi um lindo passeio, com direito a alguns pingos de chuva, mas nada que atrapalhasse.


À tarde, fomos de volta ao bairro onde estava o hotel para darmos uma volta no comércio local. Também aproveitamos para comer um daqueles maravilhosos doces que a Alemanha tem. Já à noite pudemos conhecer outras partes da cidade que não havíamos ido e também voltamos a outros, como os Portões de Brandemburgo, lindamente iluminados. Fomos a alguns dos famosos pátios de Berlin, em que passamos por pequenas entradas e logo nos deparávamos com prédios, bares e teatros. Frutos da expansão populacional no século XIX, hoje são um verdadeiro charme em meio à cidade.


Impressionante foi o monumento em memória aos judeus mortos no holocausto, uma construção que de certa forma lembra um cemitério, mas quando caminhamos em seu meio nos impressionamos com a altura de cada uma das "esculturas", altura essa imperceptível quando vemos ao longe. Nesta mesma noite ainda caminhamos perto de construções imponentes, como a do parlamento alemão.






Estes primeiros passeios por Berlin já davam sinal de que o passeio seria incrível e que muita coisa ainda vinha pela frente...
(continua...)